Da série “sonhos vívidos” (ou: recado pra posteridade)

Eu estava na estrada que eu passo todos os dias, voltando para casa. Por algum motivo minha mãe estava comigo no carro, assim como alguém no banco de trás (não lembro quem), tagarelando sobre a vida, quando um caminhão na minha frente (escrito em azul e laranja) simplesmente tomba. Tento desviar loucamente mas sinto o caminhão caindo em cima de mim enquanto o carro amassa e vira e capota.

Primeiro pensamento: Caralho, é isso então, eu vou morrer! Meu Deus, espero que não doa!

Depois pensei na minha mãe e imaginei que o impacto maior tinha sido do lado dela e tentei pegar na sua mão, com medo de olhar pro lado e torcendo pra que ela não estivesse machucada – ou se estivesse,que eu morresse antes de ter que ver isso.

***

Como alguém que tem sonhos muito fantasiosos, foi estranho. Fiquei pensando se é assim que eu vou morrer (“jovem”? com a minha mãe do lado? Sabendo o que estava acontecendo e apavorada? Que morte horrível!). Fiquei com medo de ser uma premonição, mesmo não acreditando (muito) nisso… Fiquei pensando que talvez seja interessante então contar isso, por via das dúvidas, e ver a comprovação da minha visão caso ela aconteça…mas aí lembrei que ninguém conhece esse blog e se eu morrer assim mesmo (bate na madeira!) minha breve clarevidência vai continuar um mistério. Então vou deixar esse post só como a comprovação da minha bobice, quando eu ler daqui uns anos e rir sozinha por ter acreditado nisso ¯\_(ツ)_/¯

***

(Mas de qualquer forma vou levar pra vida: não ficarei nem fodendo atrás de caminhões com escritos azuis e laranjas.)

 

 

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Eu acho que o maior problema de virar adulto ( lembrando que só de pensar em mim como “adulta” sinto espasmos de incompreensão, como se essa definição fosse um erro enorme…) é que você percebe que a vida é isso, não melhora mais e sempre será um dia legal para cada dez (ou mais) dias normais… 

A vida é TÃO pouco extraordinária!

 

Encontrei isso escrito em um papel de rascunho dentro de um livro que eu li uns bons anos atrás. Não sei se acho mais triste o pensamento ou o fato de que eu continuo me sentindo assim…

(ou talvez o segredo seja saber disso e amar também os dias normais?)

Sobre se importar e depois ver que não devia (ou: Pra que tudo isso, meu Deus? )

Engraçado a importância que tem as situações quando estamos dentro delas… um clima pesado no trabalho, uma briga se formando no horizonte, pessoas puxando o tapete de outras, sentenças como “nunca confie em ninguém”. Parece sério, parece estratégico, parece Game of Thrones e até um pouquinho de Big Brother: formar alianças, conseguir lideranças, fazer parceria com as pessoas certas, tomar cuidado com os próprios passos.

Meu Deus, como a vida é uma bobagem!
Até que ponto isso realmente importa? Em que medida importa mais do que um dia com os amigos, dormir com o meu amor, dar risada com a minha mãe, matar as saudades da minha irmã, comer comidas gostosas, ler um livro interessante, assistir filmes legais?
Seria eu cínica, niilista, preguiçosa ou só um pouco desiludida da vida?
Existe cura ou só aceitação de que as opções são apenas duas: entrar nessa Guerra dos Tronos estúpida em troca de aprovação de um chefe velho testamento style e caçar a importância de coisas desimportantes ou passar 10 horas do meu dia esperando as outras 14 para existir de verdade?
(Ou ainda mais uma opção: seria esse o desabafo de uma pessoa muito privilegiada que pode se dar ao luxo de achar tudo uma grande babaquice pois tem poucas contas pra pagar, nenhum filho pra criar, um salário baixo o suficiente pra se abrir mão e nenhuma aspiração vocacional?)
QUESTIONAMENTOS.

Hoje eu sonhei com você. Eu estava em um lugar estranho e antes de chegar me perguntei se você estaria lá pra eu me acompanhar, mesmo eu não tendo pedido. Lembro de te procurar, esperançosa pero no mucho, e te encontrar em um canto sentado em um sofá velho me esperando.
Já tive muitos desses sonhos, com personagens diferentes. Aqueles sonhos fofinhos em que a pessoa é tão legal e preocupada que dá até um quentinho no coração e você acorda mais contente. Mas toda vez eu acordava e lembrava que não, a pessoa não era assim na vida real e chacoalhava a cabeça afastando o sonho com um”pfff, isso jamais aconteceria”.
Dessa vez eu soube que sim, isso aconteceria sim. Consigo te ver direitinho me esperando, sem eu pedir, pra me ver mais feliz.
A vida é tão engraçada!

Eu sinto arroubos de felicidade muito esquisitos, sabe? Muito.

De repente estou lendo um livro qualquer com uma menina qualquer e eu fico bem feliz e quero levantar e rodar e dar risada e abraçar pessoas. E fico feliz que daqui a pouco vou almoçar e é uma comida que eu gosto com uma Coca-cola gelada e sinto vontade de rodopiar por isso. E sinto vontade de rir mesmo que minha cabeça ainda doa um pouco só de lembrar que ontem ela doía MUITO e isso passou.
Ao mesmo tempo, eu sinto raivas enormes.
Raivas que surgem e eu não entendo. Raivas gigantescas porque as pessoas me irritam por existir, raiva porque minha dor nunca sara, raiva porque o celular tá travando e o carro não pega.
Cada vez mais eu percebo, meu deus, que tanto faz. E tanto faz do melhor jeito possível, sabe? Não importa quão triste eu esteja agora ou quão infeliz eu me sinta ou quão gigantesco meus problemas pareçam ou quão clichê seja esse texto com conclusões que qualquer um já chegou pelo menos quinhentas vezes na vida, e que não vão importar porcaria nenhuma durante os problemas ou as alegrias ou as tristezas. Tanto faz esse meu arroubo de felicidade de cinco minutos que veja você, já passou. Às vezes acho que vou cair no niilismo, mas acho que sou otimista (ou acomodada?) demais pra isso. A questão não é nem essa,sabe? A questão é que toda vez que eu to com medo e ponderando e questionando se vai dar certo eu me pergunto mesmo de coraçao será que importa?
Cada vez mais eu acho que não.
(E que tudo bem!)

Flor Roxa

São coisinhas tão pequenas, sabe? Tipo quando ele escolheu sentar do meu lado no restaurante ao invés de sentar na frente, porque queria ficar mais perto…

Tipo quando eu fiquei o dia inteiro pensando nisso com um sorriso bobo nos lábios.

É, me fudi.

(O cinismo/ experiencia/ trauma/realismo não me deixam esquecer que this too shall pass… Mas será que enquanto não passa eu posso aproveitar?)

Ano novo, de novo.

Adoro promessas de Ano Novo. Adoro escrever todas as resoluções, mesmo que elas sejam iguais as do(s!) ano (s!) passado (s!), adoro acreditar que tudo vai mudar a partir do primeiro dia do ano (hm, ok, da primeira segunda-feira, vai!) e que todos os meus projetos sairão do papel finalmente e eu terminarei 2015 muito magra, sarada, saudável e com dinheiro na poupança, mesmo depois de ter feito altas viagens maravilhosas cazamiga. Só que dessa vez, pela primeira vez em um bom tempo, eu tive mais vontade de focar na retrospectiva do que nos planos do futuro…Porque terminei o ano satisfeita, apesar de tudo. Porque terminei orgulhosa da minha trajetória. Porque esse ano que está vindo tem tudo pra ser ainda melhor!

2013 terminou como o ano do plantio, e foi isso mesmo. Em 2014 eu colhi! Saí de um emprego que não me acrescentava nada e entrei em um em que aprendo coisas novas a cada dia, cercada de pessoas que eu gosto muito e me fazem bem. Encontrei uma carreira (meu Deus, FINALMENTE!) e tirei a pedra gigante que pesava no meu peito e me deixava com a certeza de completa inadequação eterna- ri sozinha quando percebi que essa resolução de ano novo que fez parte da minha lista sempre em primeiro lugar durante quatro anos (“descobrir o que vou fazer da minha vida!”) não esteve na desse ano e talvez nunca mais volte, pelo menos não dessa maneira tão opressora.

Descobri que mesmo gostando muito de alguém, a minha (péssima!) experiência no campo amoroso realmente me ensinou algo e os tempos de arrastar corrente se foram. Não, não é fácil e não me tornei uma pessoa insensível, mas apesar de até ter insistido um pouquinho mais do que deveria consegui me desvencilhar sem grandes dores e sofrimentos. Doer até dói, mas passa mesmo e essa foi a lição mais bonita que eu aprendi.

Levei rasteiras de gente que eu não esperava e amarguei a decepção, mas consegui afasta-las da minha vida sem grandes remorsos. Descobri que não tem mais lugar perto de mim para o que não me faz bem e quero carregar essa atitude para sempre.

Me apaixonei de novo e mesmo contra todas as probabilidades, sigo esse caminho sem nem saber pra onde vai…e estou adorando.

Foi um bom ano, que terminou me deixando com a vontade de continuar em frente, buscando alcançar cada vez mais objetivos. E vamo que vamo!

Tchau 2014, chega mais, 2015!

Você é aurora, eu sou fim de tarde…

É estranho, não consigo dizer que te amo… E eu sinto tanta vontade! Vontade quando você abre seu braço pra me puxar pro seu peito e me deixar dormir lá, fazendo carinho no meu cabelo…quando sopra na minha boca e no meu pescoço e ri da minha risada, me segurando pra lamber meu nariz e dizer “meu Deus, como a gente é tonto!”… quando você imita a formiguinha e diz “morri!” do jeito mais fofo do mundo ou só quando tá deitado lá, do meu lado, me olhando com esses olhos verdes tão mais bonitos que os azuis, (acredite!) e eu sufoco uma vontade gigante de dizer que te amo, sim, e nem entendo como de repente, do jeito mais simples e fácil do mundo eu comecei a amar alguém que eu jamais imaginaria! Tão diferente em tudo, tão jovem, tão desencanado, tão leve! E talvez por isso que eu me seguro, me questiono e ajo como se não fosse nada e que logo tudo voltará ao “normal” (você vivendo de boa cercado pelas novinhas que te idolatram, eu com meus perrengues, gostando de caras geniais e promissores e envolvidos demais em si mesmos pra lembrarem de mim), mas quando percebo já estou escrevendo pra você e pensando em você e esperando chegar em casa pra ler o seu “Dae, sussa?” e rir por dentro quando ouço as suas gírias ou te vejo balançando a cabeça ouvindo rap, pensando “Meu Deus, olha onde eu estou me metendo!”.
Ok, a gente não tem nada a ver… então eu não assumo nem pra mim mesma que você é meu namorado (“namorado? Ah, a gente tá junto!”) e deixo acontecer, esperando  a hora que isso vai acabar e a gente vai seguir o destino inevitável que nossa incompatibilidade demonstra (atitude típica de quem já sofreu e bateu muito a cabeça…).Enquanto isso você passa por cima dos meus traumas e promete toda a compreensão, me oferecendo a mão e se dispondo a ignorar toda e qualquer probabilidade contrária… Pra que pensar no amanhã, se hoje está tão bom?
E é de hoje em hoje que você vai entrando cada vez mais na minha vida, me ensinando mais do que eu esperava e deixando meus dias mais felizes.
Muito obrigada, de verdade!
Beijos, vários, imensos!
(Espero que eu tenha logo a coragem de dizer tudo isso a quem realmente importa!)

Quando eu tô triste, a vida sempre dá um jeito de me avisar que as coisas vão melhorar.

 

Hoje foi tocando Spice Girls enquanto eu tava na fila do mercado. Valeu, vida, acho que funcionou! ❤

Acho que a saudade não é nem de você: é da vida que eu ia ter se a gente ainda fosse (ou tivesse sido). A saudade é dos táxis, do metrô na linha azul, das ruas movimentadas, do pôr do sol na janela do seu apartamento cheio de bitucas de cigarro e garrafas de cerveja. A saudade é de algum filme muito besta sentada no seu sofá desconfortável ou de me jogar em um colchão largado no meio da  sala bagunçada que pode ficar bagunçada o quanto você quiser. Vai ver a saudade é de ter um mundo novo a cada esquina, um museu, uma exposição, um parque, um karaokê, uma feira, um restaurantezinho escondido com o melhor frango da cidade, e a coragem de sair desbravando tudo isso em um domingo à tarde. A saudade deve ser da Liberdade e da Vila Madalena e da Sé e do Centro e do Ibirapuera e da Praça da Árvore- que na verdade tem várias árvores muito das normais ao invés da árvore enorme que eu esperava (uma sequóia ou talvez um baobá).
Sei que a parte maior da saudade era da vida que eu queria ter tido, a vida cosmopolita, animada, agitada, cultural, cheia de opções: isso é mérito de São Paulo. A outra parte é saudade de você não só sendo inteligentíssimo, culto e divertido e sim você gostando de mim: isso é mérito da minha idealização, criatividade e esperança cega da época.
Quando a nostalgia bate, pelo menos eu consigo perceber: No fim das contas a saudade de você não tem nada a ver com você!
(Ufa!)