Da série “sonhos vívidos” (ou: recado pra posteridade)

Eu estava na estrada que eu passo todos os dias, voltando para casa. Por algum motivo minha mãe estava comigo no carro, assim como alguém no banco de trás (não lembro quem), tagarelando sobre a vida, quando um caminhão na minha frente (escrito em azul e laranja) simplesmente tomba. Tento desviar loucamente mas sinto o caminhão caindo em cima de mim enquanto o carro amassa e vira e capota.

Primeiro pensamento: Caralho, é isso então, eu vou morrer! Meu Deus, espero que não doa!

Depois pensei na minha mãe e imaginei que o impacto maior tinha sido do lado dela e tentei pegar na sua mão, com medo de olhar pro lado e torcendo pra que ela não estivesse machucada – ou se estivesse,que eu morresse antes de ter que ver isso.

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Como alguém que tem sonhos muito fantasiosos, foi estranho. Fiquei pensando se é assim que eu vou morrer (“jovem”? com a minha mãe do lado? Sabendo o que estava acontecendo e apavorada? Que morte horrível!). Fiquei com medo de ser uma premonição, mesmo não acreditando (muito) nisso… Fiquei pensando que talvez seja interessante então contar isso, por via das dúvidas, e ver a comprovação da minha visão caso ela aconteça…mas aí lembrei que ninguém conhece esse blog e se eu morrer assim mesmo (bate na madeira!) minha breve clarevidência vai continuar um mistério. Então vou deixar esse post só como a comprovação da minha bobice, quando eu ler daqui uns anos e rir sozinha por ter acreditado nisso ¯\_(ツ)_/¯

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(Mas de qualquer forma vou levar pra vida: não ficarei nem fodendo atrás de caminhões com escritos azuis e laranjas.)

 

 

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Eu acho que o maior problema de virar adulto ( lembrando que só de pensar em mim como “adulta” sinto espasmos de incompreensão, como se essa definição fosse um erro enorme…) é que você percebe que a vida é isso, não melhora mais e sempre será um dia legal para cada dez (ou mais) dias normais… 

A vida é TÃO pouco extraordinária!

 

Encontrei isso escrito em um papel de rascunho dentro de um livro que eu li uns bons anos atrás. Não sei se acho mais triste o pensamento ou o fato de que eu continuo me sentindo assim…

(ou talvez o segredo seja saber disso e amar também os dias normais?)

Sobre se importar e depois ver que não devia (ou: Pra que tudo isso, meu Deus? )

Engraçado a importância que tem as situações quando estamos dentro delas… um clima pesado no trabalho, uma briga se formando no horizonte, pessoas puxando o tapete de outras, sentenças como “nunca confie em ninguém”. Parece sério, parece estratégico, parece Game of Thrones e até um pouquinho de Big Brother: formar alianças, conseguir lideranças, fazer parceria com as pessoas certas, tomar cuidado com os próprios passos.

Meu Deus, como a vida é uma bobagem!
Até que ponto isso realmente importa? Em que medida importa mais do que um dia com os amigos, dormir com o meu amor, dar risada com a minha mãe, matar as saudades da minha irmã, comer comidas gostosas, ler um livro interessante, assistir filmes legais?
Seria eu cínica, niilista, preguiçosa ou só um pouco desiludida da vida?
Existe cura ou só aceitação de que as opções são apenas duas: entrar nessa Guerra dos Tronos estúpida em troca de aprovação de um chefe velho testamento style e caçar a importância de coisas desimportantes ou passar 10 horas do meu dia esperando as outras 14 para existir de verdade?
(Ou ainda mais uma opção: seria esse o desabafo de uma pessoa muito privilegiada que pode se dar ao luxo de achar tudo uma grande babaquice pois tem poucas contas pra pagar, nenhum filho pra criar, um salário baixo o suficiente pra se abrir mão e nenhuma aspiração vocacional?)
QUESTIONAMENTOS.