Acho que a saudade não é nem de você: é da vida que eu ia ter se a gente ainda fosse (ou tivesse sido). A saudade é dos táxis, do metrô na linha azul, das ruas movimentadas, do pôr do sol na janela do seu apartamento cheio de bitucas de cigarro e garrafas de cerveja. A saudade é de algum filme muito besta sentada no seu sofá desconfortável ou de me jogar em um colchão largado no meio da  sala bagunçada que pode ficar bagunçada o quanto você quiser. Vai ver a saudade é de ter um mundo novo a cada esquina, um museu, uma exposição, um parque, um karaokê, uma feira, um restaurantezinho escondido com o melhor frango da cidade, e a coragem de sair desbravando tudo isso em um domingo à tarde. A saudade deve ser da Liberdade e da Vila Madalena e da Sé e do Centro e do Ibirapuera e da Praça da Árvore- que na verdade tem várias árvores muito das normais ao invés da árvore enorme que eu esperava (uma sequóia ou talvez um baobá).
Sei que a parte maior da saudade era da vida que eu queria ter tido, a vida cosmopolita, animada, agitada, cultural, cheia de opções: isso é mérito de São Paulo. A outra parte é saudade de você não só sendo inteligentíssimo, culto e divertido e sim você gostando de mim: isso é mérito da minha idealização, criatividade e esperança cega da época.
Quando a nostalgia bate, pelo menos eu consigo perceber: No fim das contas a saudade de você não tem nada a ver com você!
(Ufa!)
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