Feministando até o chão ou “O bonde das revoltadas”

obama

Até o Obama no bonde…

 

Como muitas pessoas (creio que a esmagadora maioria, infelizmente!) eu não nasci feminista. Nasci e cresci acreditando em respeito, sendo ensinada sobre igualdade, em uma casa na qual o pai nem sempre era o provedor absoluto e que a mãe trabalhava fora e era totalmente independente. Cresci ao lado de uma avó corajosa que se divorciou em uma época em que isso era malvisto e de tias “solteironas” que viviam muito bem, obrigada, e não faziam questão NENHUMA de casar. Convivi desde cedo com mulheres bem sucedidas e fortes e fodas o suficiente pra eu nunca pensar seriamente em feminismo, e viver naquele limbo de ignorância na qual feminismo era o contrário do machismo e o que eu queria mesmo era igualdade. Bobagem: feminismo É igualdade. E eu só fui aprender isso na faculdade, depois de muitos anos tendo certeza de que ser mulher não era ruim assim, que estávamos em um terreno nivelado, que toda essa luta era ~exagerada~… Ah, como eu era inocente!

Se descobrir feminista é doloroso, porque de repente você começa a se tocar que não, o terreno não é nivelado. Que mesmo aqui na minha bolha sendo branca de classe média formada e pós graduada, na qual eu guardo uma infinidade de privilégios, eu vou ser julgada/ controlada/ coibida única e exclusivamente devido ao meu gênero. Que se pra mim é difícil, pra quem junta ao preconceito de gênero o de cor e o de sexualidade, fica tudo ainda pior. Que algumas pessoas com as quais eu converso e convivo concordam fortemente com idéias ofensivas, que colocam a mim e as outras mulheres em uma situação subalterna, mesmo sem perceber quão violento isso é.

O machismo tá aí, fora e dentro de mim. Está fora quando alguém de quem eu gosto justifica um estupro dizendo que “a menina não prestava, dava pra todo mundo”, está dentro quando eu desmereço outra mulher a chamando de vadia, por ter condutas sexuais das quais eu discordo. Não é fácil combater o machismo, porque eu cresci com ele. Eu vejo ele na tv, nas propagandas, nas revistas, vi ele nos meus contos de fadas e nos meus livros. Ele tá em mim, também. E eu luto, porque uma construção social é MUITO difícil de se destruir, e é uma vigilância constante. Estou longe, bem longe de saber tudo. Então quando eu comento sobre alguma coisa machista não é porque eu sou perfeita e nunca erro, mas porque eu acho que todo mundo tem PLENA capacidade de entender e querer uma situação melhor PRA TODOS. Porque pra mim não é possível que alguém DESEJE a desigualdade de gênero, a violência doméstica, os estupros… E eu sei que pareço uma pastora pregando e gritando VEJAM A LUZ, ACEITEM O FEMINISMO COMO SEU SALVADOR PESSOAL, mas é mais ou menos isso que eu sinto, de fato. Feminismo é salvação, liberação. Juro que é.

Eu quero viver em um mundo na qual o meu valor não esteja atrelado à roupa que eu visto, e que nenhuma vestimenta ou conduta dê o direito de qualquer pessoa me tocar sem o meu consentimento. Quero que estupro não seja visto como um “prêmio” ou como uma “consequência” ou como um “apenas um erro”, mas sim como o crime que é. Quero que homens não sintam o peso de serem os provedores infalíveis e nem das mulheres de serem supermães-donas de casa- profissionais- malhadas-e-sensuais. Que “coisas de homem” e “coisas de mulher” virem “coisas de gente” e cada um haja de acordo com seus desejos e inclinações. Eu quero muita coisa e parece tão impossível, mas não tem como não querer. Do jeito que tá, não dá.

Vem pro bonde das revoltadas você também…VEM!

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s